A arquitectura e o cinema, desde que este foi inventado, têm estabelecido entre si cumplicidades várias, determinadas pelo desejo de fixar quadros de tempo e de espaço – na arquitectura, o cinema descobre um acolhimento para as suas narrativas; no cinema, a arquitectura revê-se, ao descobrir-se habitada. Aceitando ser uma estrutura, a matriz de um objecto – em simultâneo referência fundadora e síntese última do seu todo – e considerando que essa matriz, quer para a arquitectura, quer para o cinema, se encontra radicada no binómio espaço-tempo, será porventura possível encontrar um plano comum de observação recíproca entre essas duas formas de expressão. A possibilidade de assim compreender a arquitectura e o cinema convoca um olhar abrangente sobre ambos, já que são afinal sempre complexos e amplos os esteios de uma e de outro. Encontra-se essa possibilidade numa abordagem transdisciplinar, entrecruzando o território da arquitectura com o território do cinema, desvelando aí processos comuns de concepção. Poderão ser assim reencontradas, com novos limites, as identidades da arquitectura e do cinema.