Trabalhar em ambientes de crise é muito exigente e requer um elevado nível de empenhamento e de capacidades de gestão de stress. Este tipo específico de curso procura que os participantes tomem consciência desses desafios de forma a puderem evitar ou minimizar frustrações durante o cumprimento da sua futura missão. Para além disso, esta formação encoraja os participantes a refletir na sua preparação pessoal para a missão e providencia-lhes com um conjunto de qualificações necessárias para trabalhar num ambiente de gestão de crises, tanto a nível das empresas e instituições, como a nível nacional, assim como em cenários internacionais.
As crises que afetam a segurança das instituições e empresas e seu pessoal são geralmente provocadas por acidentes de origem humana (incêndios, derrocadas, roubos, motins e conflitos armados, etc.) ou desastres naturais (inundações, terramotos, etc.). Para além de uma adequada preparação para fazer face a todo o tipo de imprevistos que poderão afetar a segurança, desde a simples intrusão até ao roubo e sabotagem, os responsáveis por esta área deverão também possuir conhecimentos e capacidades técnicas para dirigirem todos os aspetos que envolvem a gestão de uma crise de grandes dimensões e a gestão pós-crise até ao retorno à normalidade das funções da instituição ou empresa.
As crises de nível nacional que poderão afetar a segurança do Estado e das populações necessitam também de um adequado corpo de responsáveis que possam conduzir os meios que serão necessários para gerir a crise. Se por um lado, os serviços de proteção civil (incluindo o serviço de bombeiros) estão preparados e detêm a autoridade para conduzirem a gestão de uma crise de nível nacional, se esta envolver incêndios de grandes dimensões, inundações de vastas áreas, contaminações devido a desastres em grandes complexos fabris ou depósitos de matérias perigosas, etc., por outro lado, uma crise grave de segurança nacional que ponha em causa o normal funcionamento do Estado e que extravase as competências normais das forças de segurança e de defesa, necessita de um corpo de especialistas que, funcionando nas estruturas de proteção civil, nas forças armadas e de segurança e principalmente junto dos órgãos de direção política, possam auxiliar os respetivos chefes, comandantes ou decisores políticos nos processos de tomada de decisão e de coordenação para fazer face à crise e às suas consequências.
A nível internacional, os desenvolvimentos recentes da situação internacional vêm demonstrando a necessidade de um corpo de especialistas que se possam deslocar rapidamente para uma área de crise para uma primeira avaliação da situação, para apoiarem, com informações e primeiras ações, o futuro papel de uma missão de gestão de crises. Nos últimos anos foram desenvolvidas e implementadas normas de formação abrangentes com o objetivo de preparar civis, diplomatas, polícias e militares para missões nacionais ou internacionais de gestão de crises. A existência de um grupo de peritos civis bem treinados prontos para serem destacados com um curto pré-aviso providencia as organizações internacionais, tais como a UE, a ONU e a OSCE a capacidade de levar a cabo um espetro completo de tarefas de prevenção de conflitos e de gestão de crises previstas nos seus mandatos. Atualmente, cursos de preparação geral são uma parte integrante dos programas de preparação nacional de vários países que contribuem com recursos humanos para tais missões. Contudo, enquanto a maior parte do pessoal de polícia ou das forças armadas tem acesso a preparação adequada antes de ser chamado para missões, apenas uma pequena minoria de peritos civis (incluindo magistrados, técnicos de saúde, membros de ONG, diplomatas e peritos em desenvolvimento) recebe treino preparatório antes de ser nomeado para tais missões.
Recentemente tem-se assistido à evolução da formação específica preparatória para missões, formação que melhor se adequa para a preparação dos participantes para a sua imediata nomeação para missões. Estas iniciativas são complementadas por treinos específicos providenciados pelas respetivas organizações aos recém-chegados às missões no terreno. Contudo, o calendário apertado não permite a formação em matérias genéricas, incluindo conhecimentos mais conceptuais, que são relevantes para o trabalho futuro do perito em gestão de crises, tais como informações sobre o país e atualizações sobre segurança. A formação de base genérica, introdutória, para trabalhar em ambientes de manutenção de paz e de gestão civil de crises deverá ser idealmente providenciada antes da nomeação.
Cursos como este providenciam a formação necessária e procuram dar aos participantes uma visão realista do trabalho diário em ambiente de gestão de crises e prepará-los para os numerosos desafios que poderão encontrar no terreno. Para alguns peritos, esta formação de base é a primeira de várias ações de formação antes de serem nomeados, embora para outros seja a única formação que irão receber antes de participarem numa missão.