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Prof.ª Doutora Maria do Céu Rueff de Saro Negrão  


A complexidade dos problemas que se colocam na esfera das relações entre médico e paciente, o exercício da medicina e as questões éticas, bioéticas e deontológicas no nosso tempo, ou tão só o entrecruzamento da medicina e do direito dentro e fora das instituições de saúde, têm posto em evidência a necessidade de uma abordagem integradora no âmbito de uma nova disciplina - o Direito da Medicina.

O curso que ora se apresenta tem por objecto a problematização das questões médicas tendo em conta os princípios jurídicos, os princípios médicos e a "principiologia" da bioética no âmbito das instituições de saúde e envolvendo as relações interdisciplinares e variadas dos seus múltiplos atores. Estudar-se-á o regime jurídico dos aspectos salientes da atuação profissional médica, levando em consideração os desenvolvimentos científicos das últimas décadas e a multiplicidade cultural e valorativa inerente à contemporaneidade; far-se-á uma reflexão sobre o estatuto (paradigmático) do médico ou, num sentido mais alargado, do profissional de saúde, tudo isto tendo em conta as normas da Constituição da República Portuguesa, o Código Penal, o Código Civil, bem como o Código Deontológico da Ordem dos Médicos e outras normas relevantes constantes de legislação avulsa. Dar-se-á especial atenção à análise de casos e à discussão em torno de tópicos principais levantados a propósito de situações difíceis, já alvo de decisões tomadas por órgãos políticos, comissões éticas ou tribunais. Em síntese, será abordado o seguinte:

  • Enquadramento jurídico-institucional e Direito Constitucional da Saúde;
  • Fontes internacionais, "principialismo" e Direitos Humanos, bem como a concretização normativa dos Direitos Humanos com projeção no campo médico-jurídico;
  • Tutela da personalidade, direitos de personalidade no Direito Civil e tutela fragmentária da personalidade no Direito Penal com destaque para os tipos penais incriminadores;
  • Concretizações e enunciado de (outras) questões relevantes no campo médico-jurídico como erro médico, segredo médico e informação a terceiros com quebra de confidencialidade (o caso do HIV/Sida), leges artis e fim de vida (cuidados paliativos e eutanásia);
  • Estrutura / organização do sistema de saúde e visita aos principais instrumentos normativos;
  • Direito da Medicina: responsabilidade médica e atuação profissional, nomeadamente, responsabilidade civil, extracontratual do Estado, disciplinar deontológica e disciplinar administrativa, erro e eventos adversos em medicina, confidencialidade, médico com dupla responsabilidade, conflitos de interesses;
  • Desempenho médico: aspetos particulares do seu regime jurídico, nomeadamente, consentimento informado, informação em saúde, proteção de dados, informação genética pessoal e de saúde, acesso ao processo clínico e à informação médica, dever de documentação, direitos e deveres dos pacientes, etc. 
  • Compreender a problemática específica do Direito Médico, traduzida numa perspectiva integradora e transdisciplinar entre a Medicina e o Direito, bem como o enquadramento jurídico-institucional da medicina.
  • Saber problematizar as questões médico-jurídicas tendo em conta a "principiologia" jurídica, médica e bioética e conhecer as fontes nacionais e internacionais do Direito da Medicina (da Constituição da República Portuguesa à Convenção Europeia dos Direitos Humanos e da Biomedicina ou Convenção de Oviedo).
  • Aprender como se faz a tutela da personalidade humana no ordenamento jurídico e perceber através dela onde se situam e como se traduzem juridicamente algumas das questões que se colocam aos profissionais de saúde na sua prática diária (em foco as normas do Código Civil sobre direitos de personalidade e do Código Penal: das intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos e violação de segredo, até às leges artis e fim de vida (englobando os cuidados paliativos e eutanásia).
  • Perceber como se estrutura o sistema de saúde em Portugal, através dos principais diplomas que o instituíram e regulam, saber onde se projeta a atuação médica e quais os sistemas de relação em que se encontra inserido o profissional de saúde.
  • Estudar o estatuto laboral e disciplinar do médico ou, num sentido mais alargado, do profissional de saúde, tendo em conta o sistema administrativo da saúde, o Código do Trabalho e o Código Deontológico da Ordem dos Médicos.
  • Apreender o regime jurídico de alguns aspectos particulares da atuação profissional dentro do sistema de saúde, nomeadamente, o consentimento informado, a confidencialidade, a responsabilidade médica, o acesso à informação de saúde e o dever de documentação, entre outros.

São destinatários do curso licenciados nas áreas do Direito, da Medicina, da Filosofia, da História, da Sociologia, da Psicologia, da Economia, da Gestão, da Enfermagem, da Saúde Pública, da Administração Hospitalar, da Assistência Social ou de qualquer outra licenciatura que proporcione emprego em carreiras onde questões médicas possam entrecruzar-se com o mundo jurídico.

Os alunos que obtiverem aprovação neste curso terão direito ao respectivo certificado de frequência e aprovação.

Unidade curricular Horas ECTS
     
Direito constitucional da saúde e Direitos Humanos 30 -
Direito civil médico e tutela da personalidade 30 -
Direito penal médico e tutela fragmentária da personalidade 30 -
Direito das instituições da saúde 30 -
Direito da medicina integrativo I: responsabilidade médica e deontologia profissional 30 -
Direito da medicina integrativo II: desempenho médico: aspetos do seu regime jurídico
30
-
     
Total
180 -
  • Prof.ª Doutora Maria do Céu Rueff de Saro Negrão 
  • Prof. Doutor André Gonçalo Dias Pereira
  • Prof. Doutor Fernando Licínio Lopes
  • Prof.ª Doutora Teresa Maria Quintela de Brito Prazeres da Silva
  1. A avaliação de conhecimentos no âmbito das unidades curriculares realiza-se obrigatoriamente em duas componentes: avaliação contínua e exame final escrito.
  2. No âmbito da avaliação contínua são de considerar, entre outros, os seguintes elementos:
    1. Assiduidade às aulas – presença em pelo menos 70% de cada categoria de aulas previstas;
    2. Participação em iniciativas e trabalhos desenvolvidos em aula;
    3. Intervenções orais;
    4. Elaboração e apresentação de trabalhos individuais ou de grupo sobre temas sugeridos ou aprovados pela docência.
  3. O exame final escrito realiza-se imediatamente após a conclusão da parte lectiva da correspondente unidade curricular, prevendo-se uma única época para a sua realização, a qual compreende duas chamadas que ocorrerão com, pelo menos, trinta dias de intervalo e às quais pode ter acesso qualquer aluno inscrito.
  4. A classificação final de cada unidade curricular corresponde à média ponderada das classificações atribuídas relativamente à avaliação contínua e à prova de exame final escrito, valendo aquela 60% e esta 40%.
  5. Todas as classificações são expressas na escala de 0 a 20 valores.
  6. Consideram-se aprovados em cada unidade curricular os alunos que obtiverem a classificação final mínima de 10 valores.
  • Pós-laboral: 18H00 - 22H00

Dois semestres lectivos, compreendendo três unidades curriculares por semestre. Cada aula de cada unidade curricular terá a duração de duas horas por semana, totalizando 30 horas por semestre (90 horas por semestre, 180 horas anuais).

A informação relativa a propinas e respectivas normas de pagamento poderá ser obtida junto dos serviços do Instituto Lusíada de Pós-graduações.

  • Formulário de candidatura
  • Curriculum vitae
  • Certificado de licenciatura (original ou fotocópia autenticada)
  • Bilhete de identidade / Cartão de cidadão (fotocópia)
  • Número de Identificação Fiscal (fotocópia)
  • Fotografias (3)

Morada:
Instituto Lusíada de Pós-Graduações
Universidade Lusíada de Lisboa
Rua da Junqueira, 188-198
1349-001 Lisboa

Telefones:
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E-mail:
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