Trabalhar em ambientes de crise é muito exigente e requer um elevado nível de empenhamento e de capacidades de gestão de stress. Este tipo específico de curso procura que os participantes tomem consciência desses desafios de forma a puderem evitar ou minimizar frustrações durante o cumprimento da sua futura missão. Para além disso, esta formação encoraja os participantes a reflectir na sua preparação pessoal para a missão e providencia-lhes com um conjunto de qualificações necessárias para trabalhar num ambiente de gestão de crises, tanto a nível nacional como em cenários internacionais.
Nos últimos anos foram desenvolvidas e implementadas normas de formação abrangentes com o objectivo de preparar civis, polícias e militares para missões nacionais ou internacionais de gestão de crises. A existência de um grupo de peritos civis bem treinados prontos para serem destacados com um curto pré-aviso providencia a organizações internacionais tais como a UE, a ONU e a OSCE a capacidade de levar a cabo um espectro completo de tarefas de prevenção de conflitos e de gestão de crises previstas nos seus mandatos.
Actualmente, cursos de preparação geral são uma parte integrante dos programas de preparação nacional de vários países que contribuem com recursos humanos para tais missões. Contudo, enquanto a maior parte do pessoal de polícia ou das forças armadas tem acesso a preparação adequada antes de ser chamado para missões, apenas uma pequena minoria de peritos civis (incluindo magistrados, técnicos de saúde, membros de ONG, diplomatas e peritos em desenvolvimento) recebe treino preparatório antes de ser nomeado para tais missões. Apesar de o pessoal recrutado para missões no terreno ser normalmente constituído por profissionais altamente qualificados nos seus domínios de competência, carecem no entanto de treino substantivo em questões gerais relacionadas com o seu trabalho numa missão no terreno.
É difícil de prever os ciclos de recrutamento e de envio para missões deste tipo e têm provado ser muito desafiantes as tentativas para ajustar programas específicos de treino a planeamentos de envio de pessoal para missões. Nos últimos anos tem-se assistido à evolução da formação específica preparatória para missões, formação que melhor se adequa para a preparação dos participantes para a sua imediata nomeação para missões. Estas iniciativas são complementadas por treinos específicos providenciados pelas respectivas organizações aos recém-chegados às missões no terreno. Contudo, o calendário apertado não permite a formação em matérias genéricas, incluindo conhecimentos mais conceptuais, que são relevantes para o trabalho futuro do perito em gestão de crises, tais como informações sobre o país e actualizações sobre segurança.
Por isso, a formação de base genérica, introdutória, para trabalhar em ambientes de manutenção de paz e de gestão civil de crises deverá ser idealmente providenciada antes da nomeação. Cursos como este providenciam a formação necessária e procuram dar aos participantes uma visão realista do trabalho diário em operações de paz e prepará-los para os numerosos desafios que poderão encontrar no terreno. Para alguns peritos, esta formação de base é a primeira de várias acções de formação antes de serem chamados para uma missão, embora para outros seja a única formação que irão receber antes de participarem numa missão.