O segundo ciclo de estudos em Comunicação e Multimédia pretende aprofundar as competências na área científica das Artes, Comunicação e Multimédia, no sentido de explorar cenários de expressão individual e criação de cadeias de valor no pós-world-wide-web, nomeadamente no paradigma metaverso, em que a palavra "site" deixou de ser um conjunto de documentos e tornou-se um espaço a ser ocupado.
Esta transição de paradigma provocará mudanças significativas nos objetos que designamos coloquialmente como apps e streaming. Naturalmente, estas mudanças serão mais evidentes ao nível da realidade virtual e aumentada, se tivermos em consideração o impacto dos precedentes, nomeadamente a introdução e consequente massificação das tecnologias digitais em rede que vieram alterar o modelo de distribuição dos média e, consequentemente, os padrões estéticos, modos de produção, de financiamento e de consumo, sendo previsível que esta transição tenha consequências semelhantes.
No presente ano letivo, o tema do mestrado incidirá sobre formatos de cinema expandido, nomeadamente em propostas baseadas na premissa "Se o cinema fosse inventado com a tecnologia e alcance do metaverso que existe atualmente, como seria?". Esta premissa reflete uma análise crítica acerca de experiências na área dos videojogos como Façade (Mateas & Stern, 2005), The Last of Us (Druckman, 2013), Life is Strange (Cano, 2015), Hellblade (Ninja Theory, 2017), Bury Me, My Love (Maurin & Corbinais, 2017) e Vader Immortal (Snow & MacKie, 2019), cuja conclusão aponta para a emergência de um espaço de experiência cada vez mais distante do conceito tradicional de videojogo e mais próximo de outro tipo de espaço de experiência, no qual a influência do cinema parece ser incontornável.
Para explorar essas possibilidades, este mestrado propõe uma análise conceptual, estética e formal e sobretudo crítica desse espaço de experiência e de como ele pode beneficiar das características e pressupostos do metaverso, em três enquadramentos:
- No enquadramento de investigação através da criação de conhecimento artístico pela via da produção de média, cujos processos e resultados poderão ser acolhidos nas unidades de investigação da Universidade Lusíada, nomeadamente na linha de investigação de "User Experience Design", e no âmbito do grupo de investigação 4, do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design.
- No enquadramento de comercialização, divulgação e distribuição ou como, quando e por que meio estes novos espaços de experiência podem ser divulgados, exibidos, que ligação apresentam ao meio empresarial, que relação com o espectador e quais as formas de retorno de investimento que podem possuir.
- Na convergência das duas anteriores, através de iniciativas como o Festival Alquimia (Vendas Novas), um festival-residência em cinema expandido, cujo conceito e execução foram desenvolvidos na Universidade Lusíada.
Embora estas questões possam parecer focadas na natureza tecnológica da construção deste novo espaço, consideramos que a realidade é diferente, uma vez que muitos destes processos já se encontram disponíveis ao grande público, mas dispersos entre diversas áreas do conhecimento, como o guionismo, a imagem e o som (através de algoritmos de inteligência artificial), o design (através do desenho de interfaces) e a gestão (de equipas above e below-the-line).
Este curso de mestrado em Comunicação e Multimédia pretende explorar esses cruzamentos e lacunas e, ao mesmo tempo, providenciar um campo vasto de possibilidades aos estudantes que se pretendam afirmar nesta área.
Regulamentação específica
R/A-Cr 50/2024 de 2024-03-26 — Registo do curso de mestrado em Comunicação e Multimédia pela DGES e acreditado pela A3ES em 2024-01-11, com o número de processo: NCE/22/2200632.